Ideb 2025: Brasil avança em todas as etapas e em praticamente todo o território
Resultados alcançam o maior patamar da série histórica, com crescimento da aprendizagem e evolução disseminada entre estados e municípios
EDUCAÇÃOAVALIAÇÃO
Marina Queiroz e Júlia Zerlotini
8/7/20267 min read


A educação básica brasileira alcançou, em 2025, os melhores resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica desde o início da série histórica, em 2005. O avanço ocorreu nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio, alcançou praticamente todo o território nacional e foi acompanhado pelo crescimento das médias de aprendizagem em língua portuguesa e matemática.
O Ideb combina o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb, com indicadores de fluxo escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono coletadas pelo Censo Escolar). Seu crescimento, portanto, depende tanto da progressão dos estudantes quanto da aprendizagem.
Em 2025, os dois componentes apresentaram melhora.
O Ideb em perspectiva: avanços e a importância da continuidade das políticas educacionais
A comparação entre o início da série histórica e os resultados mais recentes mostra uma melhora importante dos indicadores educacionais brasileiros. Os resultados reforçam que avanços educacionais dependem de políticas públicas consistentes, coordenadas, acompanhadas e sustentadas ao longo do tempo.
Em 2005, o Ideb brasileiro era de 3,8 nos anos iniciais do ensino fundamental, 3,5 nos anos finais e 3,4 no ensino médio. Em 2025, os resultados chegaram a 6,3, 5,3 e 4,5, respectivamente. O maior crescimento ocorreu nos anos iniciais, com aumento de 2,5 pontos ao longo de vinte anos. Nos anos finais, o avanço foi de 1,8 ponto e, no ensino médio, de 1,1 ponto.
Entre 2023 e 2025, os anos iniciais passaram de 6,0 para 6,3; os anos finais, de 5,0 para 5,3; e o ensino médio, de 4,3 para 4,5. Considerando apenas a rede pública, os resultados também avançaram nas três etapas: de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais, de 4,7 para 5,0 nos anos finais e de 4,1 para 4,3 no ensino médio.
A trajetória, porém, não foi linear. Os anos iniciais e finais apresentaram queda em 2021, período marcado pelos impactos da pandemia, mas voltaram a crescer nas edições seguintes. No ensino médio, o resultado permaneceu estável entre 2019 e 2021 e avançou em 2023 e 2025. Essas oscilações mostram que as conquistas educacionais não estão automaticamente asseguradas e exigem continuidade, capacidade de adaptação e respostas consistentes aos desafios de cada período.
A melhora recente foi territorialmente ampla. Todos os 27 estados avançaram nos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais, 24 cresceram, dois permaneceram estáveis e um apresentou queda. No ensino médio, 23 avançaram, três mantiveram o resultado anterior e apenas um recuou.
Entre as unidades da Federação, o Paraná se destaca pelos resultados nas diferentes etapas, chegando a 7,0 nos anos iniciais, 5,9 nos anos finais e 5,1 no ensino médio. O Ceará também aparece entre os destaques do ensino fundamental, enquanto estados de diferentes regiões apresentam resultados relevantes, mostrando que a evolução da educação básica está distribuída pelo país.
Quando o olhar se desloca dos estados para os municípios, o Nordeste ganha ainda mais protagonismo. Os oito municípios que alcançaram nota 10 nos anos iniciais do ensino fundamental estão no Ceará ou em Alagoas. São Coruripe, Santana do Mundaú e União dos Palmares, em Alagoas, e Catunda, Coreaú, Cruz, Pedra Branca e Pires Ferreira, no Ceará.
O destaque dos dois estados permanece nos anos finais. O maior Ideb municipal do país nessa etapa foi registrado em Deputado Irapuan Pinheiro, no Ceará, com 9,3, seguido por Santana do Mundaú, em Alagoas, com 9,2. O resultado chama atenção para a consolidação de redes municipais nordestinas entre as principais referências nacionais de desempenho no ensino fundamental.
O cenário revela movimentos complementares. Enquanto Ceará e Alagoas concentram alguns dos melhores resultados municipais do ensino fundamental, o Paraná se destaca pela consistência de seus indicadores ao longo da trajetória escolar e alcança a liderança entre os estados no ensino médio. Essas experiências também evidenciam a importância de políticas educacionais que ultrapassem ciclos administrativos, preservem estratégias bem-sucedidas e mantenham objetivos de longo prazo.
Ao mesmo tempo, permanecem diferenças territoriais importantes. Os avanços nacionais convivem com redes que partem de condições distintas e enfrentam desafios relacionados à gestão, à infraestrutura, à formação e permanência de professores e às condições sociais dos estudantes. Reconhecer essas diferenças é fundamental para que a continuidade das políticas não signifique apenas manter as mesmas ações, mas aperfeiçoá-las e adequá-las às necessidades de cada território.
Outro indicador importante dessa transformação está na redução do número de municípios nos patamares mais baixos. Em 2005, 4.110 municípios apresentavam Ideb inferior a 4,9 nos anos iniciais. Em 2023, eram 1.097 e, em 2025, passaram a ser apenas 442. O MEC anunciou acompanhamento e assistência técnica voltados especialmente a esses municípios.
A redução é expressiva e reforça uma das principais mensagens dos resultados de 2025: o avanço não está restrito a poucos redes de ensino. Também demonstra o potencial de políticas educacionais sustentadas no tempo e articuladas entre União, estados e municípios. Ao mesmo tempo, as redes que ainda permanecem nos patamares mais baixos demandam acompanhamento contínuo e estratégias territorializadas, capazes de considerar suas condições de oferta, gestão e contexto social.
A aprendizagem também avançou
Os dados do Saeb mostram que o crescimento do Ideb não foi explicado apenas pelo aumento das taxas de aprovação. As médias de aprendizagem também cresceram em língua portuguesa e matemática nas três etapas avaliadas.
Na rede pública, o maior avanço ocorreu no 5º ano. Em língua portuguesa, a média passou de 207,6 pontos, em 2023, para 215,1, em 2025. Em matemática, cresceu de 218,3 para 227,4.
No 9º ano, a aprendizagem em língua portuguesa passou de 252,9 para 256,6 pontos, enquanto matemática avançou de 249,9 para 255,3.
No ensino médio, a média de língua portuguesa cresceu de 269,1 para 272,3 pontos. Em matemática, passou de 263,9 para 268,0.
Os resultados mostram crescimento nas seis combinações de etapa e disciplina divulgadas pelo Inep. Também indicam que os avanços foram mais intensos no 5º ano do que no 9º ano e no ensino médio.
Esse padrão reforça um desafio importante: garantir que os progressos construídos nos primeiros anos de escolarização tenham continuidade ao longo de toda a trajetória dos estudantes.
As médias do Saeb são fundamentais, mas ainda será necessário analisar a distribuição dos estudantes pelos níveis de proficiência. Essa leitura permitirá compreender quantos avançaram para níveis mais elevados de aprendizagem e quantos ainda permanecem nos patamares mais baixos.
O ensino médio avança, mas continua exigindo atenção
O ensino médio também alcançou o maior resultado de sua série histórica, passando de 3,4, em 2005, para 4,5, em 2025.
Apesar do avanço, essa continua sendo a etapa com evolução mais lenta. O país ainda enfrenta dificuldades para garantir aprendizagem, permanência e progressão escolar nos últimos anos da educação básica.
Os desafios envolvem a recomposição das aprendizagens, a redução do abandono e da distorção idade-série, a organização curricular, a formação de professores e a construção de uma experiência escolar que dialogue com os interesses e projetos de vida dos jovens.
Também é necessário considerar as diferentes condições de oferta entre redes e territórios, especialmente para estudantes que conciliam a escola com trabalho, responsabilidades familiares e dificuldades de deslocamento.
O resultado de 2025 deve ser reconhecido como um avanço importante, mas também reforça a necessidade de políticas específicas e sustentadas para essa etapa.
Uma próxima camada de análise: raça e nível socioeconômico
Os resultados já divulgados permitem observar a evolução do Ideb e das médias de aprendizagem por etapa, rede, região, unidade da Federação e localização.
Para compreender como esses avanços se distribuíram entre estudantes de diferentes grupos raciais e socioeconômicos, será necessário aguardar a divulgação dos microdados do Saeb 2025. Esses microdados ainda não foram lançados pelo Inep. Considerando o calendário das edições anteriores, a expectativa é que estejam disponíveis em 2027.
A partir dessa base, será possível realizar análises por raça ou cor, nível socioeconômico, território, rede de ensino e outras características dos estudantes e das escolas.
Essa nova camada permitirá investigar se os grupos que historicamente enfrentam maiores desigualdades também avançaram, se as diferenças de aprendizagem diminuíram e como os resultados variaram entre escolas de contextos distintos.
A ausência momentânea desses recortes não reduz a importância dos resultados já conhecidos. O Ideb 2025 mostra um avanço amplo, presente em todas as etapas e na maior parte do território brasileiro. A publicação futura dos microdados permitirá aprofundar a compreensão sobre a extensão e a distribuição desse progresso.
Um avanço nacional que abre novas possibilidades
O Ideb 2025 oferece razões concretas para reconhecer os avanços da educação brasileira. O país alcançou os melhores resultados de sua série histórica nas três etapas, ampliou as médias de aprendizagem em língua portuguesa e matemática, reduziu significativamente o número de municípios nos patamares mais baixos e registrou crescimento em praticamente todo o território nacional.
Esses resultados mostram que políticas educacionais sustentadas no tempo podem produzir mudanças relevantes. Também reforçam a importância da colaboração entre União, estados e municípios, da continuidade das políticas públicas e do acompanhamento sistemático das aprendizagens.
A publicação futura dos microdados do Saeb acrescentará novas dimensões a essa análise, especialmente em relação à raça, ao nível socioeconômico e às desigualdades existentes dentro das redes e dos territórios.
Essas análises poderão ajudar a compreender onde o progresso foi mais intenso, quais desafios permanecem e quais políticas precisam ser fortalecidas.
O avanço histórico do Ideb é uma boa notícia para o país. O desafio, agora, é sustentar essa trajetória, consolidar os ganhos de aprendizagem e garantir que a evolução alcance, de forma cada vez mais consistente, todas as etapas, redes, territórios e estudantes.
Fonte: resultados do Ideb 2025 e do Saeb 2025 divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, Inep.
Links úteis:
https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/saeb/resultados
